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Quarta-feira, 03 de Junho 2026
Caio Bonfim ganha sua quinta medalha em Mundiais celebrado pela torcida de Brasília

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Caio Bonfim ganha sua quinta medalha em Mundiais celebrado pela torcida de Brasília

Atletismo

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Caio Bonfim (CASO-DF) aumentou sua coleção de vitórias internacional e conquistou sua quinta medalha em Mundiais. Neste domingo (12/4), em Brasília, ele levou a medalha de bronze na disputa da meia maratona no Campeonato Mundial de Marcha Atlética Caixa por Equipes 26. O brasileiro lutou pela primeira posição até as duas últimas voltas, e fez o tempo de 1:27:36. O italiano Francesco Fortunato ganhou o ouro, com 1:27:25, e o etíope Misgana Wakuma garantiu o bronze (1:27:33).

O brasiliense de 35 anos conquistou quatro medalhas em Campeonatos Mundiais, em que são disputadas todas as provas do atletismo. No ano passado, em Tóquio, fez a incrível dobradinha com ouro nos 20 km e prata nos 35 km. Ele já tinha conquistado dois bronzes nos 20 km: o primeiro em Londres-2017 e o segundo em Budapeste-2023.

Mas Caio ainda não tinha subido ao pódio em um Mundial de Marcha Atlética, o mais antigo Mundial realizado pela World Athletics, cuja primeira edição foi realizada em 1961. A medalha de bronze enfim chegou, em sua oitava participação, e justamente em um campeonato realizado no quintal de sua casa. O bronze veio em Brasília. 

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"Eu brinco que completei meu álbum: já tinha medalha olímpica, de Mundial de Atletismo, e só faltava uma medalha do Mundial de Marcha. Eu queria voltar para casa com uma medalha, não importava qual. Medalha é medalha. E como eu lutei! Estou muito feliz, muito orgulhoso de ter conseguido. Desde que Brasília foi anunciada como sede, a responsabilidade ficou grande. Foi a prova mais difícil da minha carreira, por causa desse lado emocional, de não querer decepcionar a torcida, e a prova tem mais de 1h20, 21 voltas. Parecia que a cada volta era um Mundial!". 

Confira todos os resultados do Mundial por Equipes de Brasília no site da World Athletics

O brasileiro, que prefere fazer provas mais estratégicas, revezando-se nas primeiras posições e em posições mais intermediárias, disse que precisou mudar sua forma de marcha. "Aqui era oito ou oitenta. Como a prova valia muito para mim, eu tive que arriscar mais. Quando você é campeão mundial, todo mundo quer ganhar. E não tem essa de 'ah, o Caio está em casa, é o dia dele'. Os adversários não pensam assim, só teve fera aqui, e todos super motivados. A cada volta, era um grande atleta que eu deixava para trás." Ele citou como exemplo o recordista mundial, o japonês Toshikazu Yamanishi, como um grande atleta que não chegou ao pódio. "Ele bateu o recorde em fevereiro e não conseguiu medalha". 

Caio considera que a realização do Mundial por Equipes no Brasil marca um novo momento da marcha atlética no país. Relembrou as dificuldades do início da carreira, quando era hostilizado pelas ruas enquanto marchava, e comparou com status atual da prova, em que os gritos são de incentivo. Caio e todos os brasileiros foram intensamente celebrados durante a disputa, realizada no Eixo Monumental.

"Na Olimpíada do Rio-2016 eu reclamei. Disse que dos nove anos de carreira que eu tinha, eu não tinha passado um dia sequer sem ser xingado. E hoje ver essa galera apoiando em Brasília foi um sonho realizado. Essa é a medalha que eu tenho que não está nas prateleiras: poder marchar tranquilo. Que dia lindo! Foram 21 km com a galera gritando, nesse sol de Brasília, torcendo pelo menino de pernas tortas de Sobradinho."

Caio também fez questão de exaltar a história do Brasil em Mundiais de Marcha. Até este domingo, o país tinha duas medalhas individuais na competição: os bronzes conquistados por Érica Rocha de Sena nos 20 km de Roma-2016 e Antalya-2024. Em Brasília, duplicou o número de medalhas com duas conquistas inéditas. Pela primeira vez, o país conquistou um pódio individual masculino e garantiu uma medalha por equipes, com o time feminino da maratona.

"Esse resultado é uma construção, a partir de passos que foram dados por muita gente", lembrou Caio. "Em 1999, a delegação do Brasil era só minha mãe (a ex-marchadora e treinadora Gianetti Bonfim) e o Sérgio Galdino (brasileiro que disputou nove Mundiais de marcha). Eram só os dois, chegavam um dia antes da prova, e um dava a hidratação para o outro. Isso era o melhor que o Brasil podia fazer naquela época. Depois, a Érica quebrou paradigmas, levando o Brasil à primeira medalha de nível mundial que tivemos."

Caio exaltou o resultado da equipe feminina da maratona, lembrando que, no Mundial de Antalya, em 2024, ele e Viviane Lyra conquistaram o 5º lugar na maratona de revezamento misto, depois de liderarem a prova até o km 40. "Hoje, Deus presenteou a mim e a Viviane, porque a gente sofreu muito em 2024. Estávamos ganhando a prova, recebemos a punição e ficamos fora do pódio. Mas agora ganhamos o bronze em casa. Esse Mundial vai ser um legado. Daqui a dez anos, teremos novos marchadores por causa dessas medalhas de hoje. Por isso, agradeço a todos que vieram antes de mim."

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