Em uma noite histórica e marcada pela tensão política, o Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube aprovou, nesta sexta-feira (16), o impeachment e o consequente afastamento imediato do presidente Julio Casares. A decisão, tomada em sessão híbrida — após longa disputa judicial sobre o formato da votação —, marca um dos capítulos mais dramáticos da história recente do clube. Com a destituição, o vice-presidente Harry Massis Junior assume o comando da instituição.
O processo de afastamento foi impulsionado por graves acusações de má gestão orçamentária, venda de atletas por valores abaixo do mercado e o suposto uso irregular de camarotes no estádio do MorumBis. Além do âmbito administrativo, a pressão sobre Casares intensificou-se após investigações da Polícia Civil e relatórios do Coaf apontarem movimentações financeiras atípicas em suas contas pessoais, somando cerca de R$ 11 milhões em espécie entre 2021 e 2025.
Durante a sessão, o agora ex-presidente defendeu sua inocência, classificando o processo como uma "injustiça" e alegando que os recursos citados possuem origem lícita, oriundos de bonificações de campeonatos. Entretanto, o argumento não convenceu o quórum necessário de 75% dos conselheiros, exigência estatutária que selou seu destino.
Apesar da decisão do Conselho, o rito institucional ainda prevê uma etapa final. O presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior, deve convocar uma Assembleia Geral de sócios em até 30 dias para ratificar o afastamento. Caso os associados confirmem a decisão por maioria simples, Casares perderá definitivamente o mandato e poderá ser banido do quadro associativo do clube. Enquanto isso, o São Paulo tenta se equilibrar entre a crise política e uma dívida que já ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão.

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