Gabriel Garcia (Pinheiros-SP) conquistou seu primeiro título dos 100 metros no 45º Troféu Brasil Interclubes Loterias Caixa de 2026 e comemorou, emocionado, junto com os Ídolos do Atletismo, na pista do estádio Ícaro de Castro Mello, nesta quinta-feira (23/7). André Domingos, Claudinei Quirino e Bruno Lins – medalhistas olímpicos do revezamento 4x100 metros – celebraram a vitória de mais um velocista produzido em Presidente Prudente (SP).
Gabriel, de 28 anos, foi campeão brasileiro dos 200 metros em 2024. Mas o ouro nos 100 metros foi especial. “Na hora em que eu vi os medalhistas, grandes velocistas, a história do atletismo brasileiro comemorando por mim, eu chorei. Eu nunca imaginei esses caras torcendo por mim porque, desde criança, eu torcia por eles. Essa é a potência prudentina”, disse o campeão, nascido na cidade do interior paulista.
A medalha de ouro veio com o tempo de 10.19 (-1.1). O recordista brasileiro dos 100 metros, Erik Cardoso (Sesi-SP), garantiu a medalha de prata, com 10.21. Paulo André Camilo (CAES-ES) foi bronze, com a marca de 10.29. “Nessa final eu só pensava em ganhar o Troféu Brasil. Entrei relaxado, tranquilo comigo mesmo. Fechava os olhos e só pensava no que eu precisava fazer para ser o melhor”, ressaltou Gabriel.
O velocista ficou satisfeito com o resultado, principalmente por causa do vento negativo na hora da corrida. “Com a rajada de vento que veio, o tempo foi bom. Eu queria ganhar, marca a gente pode fazer em outra competição.”
Gabriel tem uma trajetória peculiar. Além de uma história vitoriosa no atletismo olímpico, ele também atua no esporte paralímpico. É guia da velocista Jerusa Geber, campeã paralímpica e mundial da classe T11, para deficientes visuais. O velocista é treinado por Luiz Henrique Barbosa da Silva, também técnico e marido de Jerusa.
Em Paris-2024, Gabriel foi integrante do revezamento 4x100 metros na Olimpíada e, depois, disputou a Paralimpíada com Jerusa, que ganhou o ouro nos 100 metros e nos 200 metros. “Quero ser o primeiro atleta da história a disputar duas vezes a Olimpíada e a Paralimpíada. Em Paris-2024, eu já fui o primeiro do Brasil. E quem sabe ganhar uma medalha no olímpico e paralímpico em Los Angeles-2028”, afirmou.
A parceria com Luiz vem desde 2015. “Trabalhamos juntos faz dez anos e hoje colhemos o resultado de todo esse tempo, desde lá atrás. A minha vitória também é dele.”
Na disputa feminina, Ana Carolina Azevedo (Pinheiros-SP) conquistou o tricampeonato dos 100 metros, com o tempo de 10.48 (-2.9). O pódio teve dobradinha do Pinheiros, com a prata de Gabriela Mourão, que fez 11.53. A terceira posição foi de Suellen de Sant Anna, do Praia Clube-Exército-CEMIG-Futel-MG, com 11.83.
Em excelente fase, Ana tem se aproximado da casa dos 10 segundos – até correu abaixo da marca (10.94) no Campeonato Pan-Americano de Medellín, na Colômbia, mas com vento acima do permitido. Com a queda na temperatura e uma forte vento contra, Ana correu para mais uma vitória no Troféu, sem conseguir melhorar suas marcas novamente.
"Eu estava esperando correr perto dos 10 segundos, mas o clima não colaborou. O tempo está na perna, é só ter paciência. Não era pra ser hoje. No Ibero eu corri 11.08, depois fiz 10.94 mas com vento acima. Uma hora sai", disse Ana, que volta à pista para a semifinal dos 200 metros, no sábado (25/7) à tarde.

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