Há conquistas que ultrapassam as linhas do tatame e marcam gerações. Em 11 de agosto de 2008, a jovem Ketleyn Quadros entrava para a história do esporte brasileiro ao se tornar a primeira mulher do país a conquistar uma medalha olímpica em uma modalidade individual. O bronze nos Jogos de Pequim fez milhares de meninas acreditarem que seus sonhos eram possíveis e, hoje, 18 anos depois, a judoca se despede oficialmente das competições com um legado que abriu caminhos para gerações e fez do seu nome um símbolo de inspiração para o judô brasileiro.
"A Ketleyn escreveu um dos capítulos mais importantes da história do judô brasileiro. Sua conquista olímpica foi um marco para o esporte e um símbolo de inspiração para milhares de meninas que passaram a acreditar que também poderiam chegar ao mais alto nível. Mas seu legado vai muito além das medalhas: está na dedicação, na perseverança, no exemplo e na forma como sempre representou nosso esporte com excelência. Seu legado permanecerá vivo e continuará inspirando atletas por muitos anos”, afirmou Paulo Wanderley Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Judô.
Natural de Ceilândia, no Distrito Federal, Ketleyn começou seu caminho no esporte dividindo a atenção entre a natação e o judô. Aos 12 anos, escolheu exclusivamente o tatame e, pouco tempo depois, passou a competir nas categorias de base da Seleção Brasileira. Em 2006, foi sétimo lugar no Campeonato Mundial Júnior e ainda conquistou o ouro no Torneio Kiyoshi Kobayashi, em Coimbra (POR), a primeira de inúmeras medalhas com a equipe principal.
"Quando comecei no judô, eu não imaginava até onde aquele sonho poderia me levar. O que começou como uma oportunidade de praticar esporte se transformou em uma jornada que mudou a minha vida. O judô me ensinou disciplina, respeito, coragem, resiliência e a acreditar que, mesmo quando o caminho parece impossível, vale a pena a gente continuar. Tive o privilégio de representar o Brasil nos maiores palcos do mundo, vivi momentos que jamais vou esquecer, me reinventei inúmeras vezes e cresci dentro e fora do tatame”, disse Ketleyn.

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