O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em um pronunciamento oficial em suas redes sociais, no momento em que a Câmara dos Deputados do país debatia a abertura de seu processo de impeachment. O colapso político do chefe do Executivo ocorreu em meio a uma grave crise financeira desencadeada pela liquidação do Ueno Bank pelo Banco Central Paraguaio (BCP), instituição digital que contava com 2,9 milhões de correntistas — cerca de 60% da população adulta do país — e que teve todos os depósitos congelados. Abandonado pelo próprio Partido Colorado, que passou a cobrar publicamente seu afastamento para conter o desgaste institucional, Peña justificou a decisão em nome da estabilidade nacional. O vice-presidente Pedro Alliana assumirá o comando da República.
A crise ganhou contornos dramáticos após o BCP decretar a intervenção e subsequente liquidação da fintech. O terremoto financeiro atingiu diretamente a estrutura governamental porque o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo logo após a medida; ele havia sido dirigente do Ueno Bank até 2023, antes de assumir a autoridade monetária. Além disso, o próprio Santiago Peña figurou como acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco digital, até março de 2025. A oposição e lideranças políticas denunciaram conflito de interesses e criticaram duramente os aportes milionários feitos pelo Instituto de Seguridade Social (PIS) e a alocação de cerca de 30% dos depósitos de fundos públicos no banco privado.
O impacto econômico imediato paralisou o comércio local, uma vez que duas em cada três transações do varejo eram intermediadas pela instituição. Agências internacionais de classificação de risco e analistas apontam que, embora o fundo garantidor local cubra até 75 salários-mínimos por correntista, apenas 30% do volume total de recursos depositados na instituição financeira contavam com cobertura de seguro, expondo a fragilidade do sistema. Paralelamente às intensas manifestações de rua que exigem a punição dos envolvidos, o Ministério Público paraguaio solicitou a prisão de oito executivos da instituição financeira, incluindo o presidente do Ueno Bank, Juan Manuel Gustale. Ao se despedir do cargo, Peña pediu desculpas ao povo paraguaio e afirmou que a história se encarregará de julgar os acontecimentos.

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