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Sábado, 02 de Maio 2026
Atividade Física: muito além da estética e do emagrecimento

Saúde & Bem-Estar

Atividade Física: muito além da estética e do emagrecimento

Por Mauro Perilhão

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Posso dizer que a atividade física é a intervenção mais poderosa (e subestimada) da saúde moderna.

Em 2018, Ruegsegger e Booth publicaram um dos artigos mais contundentes sobre o impacto do exercício físico na saúde humana. A revisão, baseada em décadas de evidências, reforça algo que a ciência já não deixa margem para dúvida: a prática regular de atividade física é uma das intervenções mais eficazes, acessíveis e abrangentes para prolongar a vida e prevenir doenças. E, paradoxalmente, continua sendo negligenciada por grande parte da população.

A inatividade física não é apenas um hábito ruim — é um fator de risco tão relevante quanto tabagismo, hipertensão e má alimentação. Segundo os autores, o sedentarismo está associado ao desenvolvimento de pelo menos 40 doenças, incluindo diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, osteoporose, depressão e declínio cognitivo. Esse número impressionante não é retórico: é epidemiologia pura.

O exercício, por outro lado, atua como um “remédio multissistêmico”. Ele melhora a função cardiovascular, aumenta a capacidade pulmonar, fortalece músculos e ossos, regula glicemia, reduz inflamação sistêmica e otimiza o funcionamento das mitocôndrias — as usinas de energia das células. Os autores destacam que o treinamento aeróbico, em especial, promove adaptações profundas no sistema cardiovascular, aumentando a eficiência do coração e reduzindo o risco de eventos fatais.

Mas os benefícios não param no corpo. O artigo também aponta conexões emergentes entre exercício e saúde mental. A atividade física regular está associada à redução de sintomas de ansiedade e depressão, melhora da cognição e até proteção contra doenças neurodegenerativas. O movimento, literalmente, reorganiza o cérebro — aumentando fatores neurotróficos, melhorando a vascularização cerebral, a memória e modulando neurotransmissores ligados ao bem-estar.

O corpo humano foi projetado para se mover. A biologia do exercício é complexa e envolve interações entre genes, células, tecidos e sistemas inteiros. Quando nos movemos, ativamos uma cascata de processos que sustentam a saúde. Quando não nos movemos, esses mesmos processos entram em declínio — e o corpo adoece. O sedentarismo, portanto, não é apenas ausência de movimento: é um gatilho biológico para o adoecimento.

A história também reforça essa ideia: no século V a.C., Hipócrates afirmava que partes do corpo que não são usadas “tornam-se doentes, mal desenvolvidas e envelhecem rapidamente”. Mais de dois mil anos depois, a ciência moderna confirma o que a observação clínica já sugeria: a falta de exercício é uma causa real e mensurável de doenças e morte precoce.

O que isso significa para todos nós? Que não é preciso correr maratonas, entrar em academias caras ou seguir treinos mirabolantes. Significa que qualquer movimento conta, e que a regularidade é mais importante do que a intensidade. Caminhar, pedalar, dançar, subir escadas, fazer musculação, praticar esportes — tudo isso ativa os mecanismos biológicos que protegem a saúde. Mas claro, consultar profissionais qualificados é fundamental para o melhor direcionamento de como os exercícios físicos podem potencializar seus resultados.

A mensagem é simples e poderosa: exercício é medicina. E, ao contrário da maioria dos tratamentos médicos, não tem efeitos colaterais negativos (se bem aplicados), é barato, acessível e pode ser iniciado imediatamente, com liberação médica, de preferência.

Em um mundo que favorece o sedentarismo — carros, telas, longas horas sentado — mover-se se torna um ato de autocuidado e, em certo sentido, de resistência. A cada semana, a cada sessão de treino, a cada caminhada, estamos não apenas queimando calorias, mas investindo em anos de vida com mais autonomia, energia e saúde.

Se existe um hábito capaz de transformar a saúde pública e individual, ele já está bem estabelecido pela ciência: levante-se e mova-se.

 

Referência:

Health Benefits of Exercise. Ruegsegger, GN and Booth, FW. Cold Spring Harb Perspect Med 2018;8:a029694.

https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6027933/

 

Prof. Dr. Mauro Perilhão (criador do Revolução em Peso) @revolucaoempeso no Instagram e Facebook.

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