A Copa do Mundo de 2026 avança pelas suas fases decisivas em solo norte-americano, mas, para quem circula pelas grandes metrópoles do país, o maior espetáculo da Terra parece estar acontecendo em outro planeta. Apesar das arenas lotadas por estrangeiros e imigrantes, a chamada "frieza" do público local em relação ao torneio tem chamado a atenção de profissionais de imprensa e torcedores de todas as partes do mundo, escancarando o abismo cultural que ainda separa os Estados Unidos do resto do planeta quando o assunto é o futebol.
A queixa é unânime entre correspondentes internacionais, falta o "clima de Copa". Em Nova York, maior centro urbano do país, a vida pulsa no ritmo frenético de sempre, sem que as camisas das seleções participantes ou as bandeiras nas fachadas façam parte da paisagem. O cenário se repete na vizinha Jersey City, que, mesmo colada ao MetLife Stadium, palco de confrontos históricos deste Mundial, mantém sua rotina de negócios inalterada. Para os moradores locais, os dias de jogos têm representado mais um incômodo no trânsito do que um evento histórico a ser celebrado.
Mesmo em cidades com forte apelo turístico e imigratório, a indiferença impera fora dos perímetros oficiais da Fifa. Em Miami, conhecida pelo calor e pela forte presença latina, o ambiente festivo restringe-se quase que exclusivamente aos arredores do Hard Rock Stadium e aos bairros de colônias hispânicas. Nos centros comerciais e distritos financeiros, o torneio simplesmente não existe nos telões ou nas conversas de bar. Na Filadélfia, berço histórico do país, torcedores estrangeiros relatam o choque ao tentar engajar moradores locais sobre o andamento dos grupos. A resposta costuma ser um dar de ombros ou o desconhecimento total de que o Lincoln Financial Field está recebendo estrelas do futebol mundial.
Profissionais de imprensa apontam que os veículos de comunicação locais dedicam espaços mínimos ao torneio, priorizando as temporadas regulares do beisebol e os preparativos para o futebol americano. Para o cidadão comum dos Estados Unidos, o soccer ainda não conquistou o direito de parar o país. Enquanto delegações e torcidas organizadas tentam acender a faísca do Mundial, as principais cidades americanas seguem seu curso com a frieza típica de quem assiste a um show do qual não comprou o ingresso.

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