O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (14) uma medida para reduzir as tarifas de importação sobre uma lista de produtos agrícolas, incluindo carne bovina, café, tomate e banana. A iniciativa, anunciada pela Casa Branca, tem como principal objetivo controlar a inflação dos alimentos no mercado norte-americano.
Apesar de ser vista como um aceno a países exportadores de commodities, como o Brasil — maior produtor global de café e segundo maior de carne bovina —, o impacto da decisão é limitado para o país sul-americano. A redução se aplica apenas à alíquota de 10% das chamadas "tarifas recíprocas" impostas globalmente em abril, deixando inalterada a sobretaxa adicional de 40% que incide especificamente sobre produtos brasileiros.
O decreto, que entra em vigor retroativamente, modifica o escopo das tarifas originalmente justificadas sob o pilar da segurança nacional, parte da estratégia de Trump para enfrentar os "grandes e persistentes déficits comerciais" dos EUA.
No Brasil, a decisão gerou reações mistas. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considerou a medida positiva, afirmando que ela "reforça a confiança no diálogo técnico entre os dois países".
Entretanto, a avaliação majoritária do setor exportador classificou a redução como insuficiente. José Augusto de Castro, presidente-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), descreveu o recuo como "tímido", ressaltando que o benefício se limitou a produtos agrícolas e de consumo, sem contemplar itens manufaturados.
A medida surge em um contexto de inflação alimentar elevada nos EUA: o preço do café acumulava alta de cerca de 20%, e o da carne bovina, entre 12% e 18%, em relação ao ano anterior. Desde a imposição das tarifas, as vendas de café brasileiro para o mercado americano, por exemplo, registraram uma retração de 54,4% em outubro, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Paralelamente, o Brasil mantém esforços diplomáticos para negociar a suspensão integral da tarifa de 40%. O governo brasileiro propôs uma "pausa" na sobretaxa para avançar em um acordo mais amplo sobre produtos específicos.
Os negociadores americanos, por sua vez, indicaram que suas prioridades nas conversas incluem obter acesso ao mercado brasileiro de etanol e discutir a regulamentação das big techs, citando preocupações relacionadas à moderação de conteúdo e liberdade de expressão. O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manifestou expectativa por uma resposta dos EUA à proposta brasileira de suspensão das tarifas.

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