A caminhada da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 ganhou contornos de maior serenidade após a convincente vitória por 3 a 0 sobre o Haiti, mas o planejamento para as fases agudas do torneio já domina os bastidores. Em entrevista coletiva concedida em Nova Jersey, o meio-campista Lucas Paquetá expôs com clareza as prioridades da delegação canarinha. Muito além de analisar o desempenho técnico em campo, o camisa 20 trouxe à tona um fator que pode ser decisivo para o desgaste físico dos atletas na América do Norte: a importância estratégica de assegurar a liderança do Grupo C para evitar uma verdadeira maratona de viagens e mudanças estruturais.
Atualmente estabelecida no conforto e na privacidade de Basking Ridge, com treinamentos realizados no centro de excelência do New York Red Bulls, em Morristown, a Seleção encontrou em solo nova-iorquino a blindagem ideal. Paquetá revelou que a manutenção dessa base logística é encarada como inegociável pelo elenco. Caso confirme o primeiro lugar da chave, o Brasil desenha um roteiro que inclui Houston, Miami, Atlanta e o retorno ao MetLife Stadium para uma eventual final, permanecendo totalmente em território americano. O segundo lugar, por outro lado, forçaria um indesejado deslocamento para Monterrey, no México, quebrando a rotina e o tempo de descanso da equipe. De forma madura, o meia ressaltou que garantir o topo não é apenas uma questão de orgulho, mas uma escolha inteligente de gerenciamento de energia e logística que favorece diretamente a recuperação física entre as partidas.
No aspecto tático, o jogador detalhou as engrenagens promovidas pelo técnico Carlo Ancelotti que ditaram a evolução da equipe após a estreia instável contra o Marrocos. Paquetá explicou que a mudança para um desenho com três atletas centralizados no meio-campo ofereceu maior definição de funções e liberdade criativa. Enquanto no primeiro jogo o meia precisava iniciar as jogadas aberto pelas pontas para depois flutuar por dentro, a nova estrutura permitiu que ele se mantivesse em sua zona de maior conforto dinâmico, facilitando a distribuição de jogo e resultando, inclusive, na assistência para o gol de Vinícius Júnior. A flexibilidade do atleta também foi colocada à prova diante da confirmada lesão muscular de Raphinha. Demonstrando o espírito coletivo que impera no grupo, Paquetá colocou-se à disposição para exercer funções mais agudas pelos lados do campo, deixando a decisão final nas mãos da comissão técnica.
O ambiente interno recebeu ainda um expressivo ganho anímico com o retorno de Neymar aos treinamentos com bola. Paquetá não escondeu o entusiasmo do grupo ao ver o camisa 10 trabalhar novamente com os companheiros, destacando seu papel histórico e técnico como um diferencial para os desafios que estão por vir. Ciente das cobranças externas e das inevitáveis comparações com outras potências que iniciaram o Mundial de forma mais avassaladora, o meio-campista adotou um tom de serenidade e foco no processo. Para ele, as oscilações iniciais serviram como aprendizado e correção de rotas. O foco da Seleção Brasileira permanece integralmente voltado para a conquista do hexacampeonato, convicto de que, se o objetivo final for atingido no dia 19 de julho, nenhuma crítica ou comparação do início da jornada terá relevância diante da história escrita.

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