A Marcha Global pelo Clima, integrada à programação da Cúpula dos Povos na COP30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, tomou as ruas de Belém como um dos atos mais simbólicos de mobilização social pelo enfrentamento da crise climática. Reunindo lideranças indígenas, movimentos sociais, organizações ambientais, trabalhadores, estudantes e diversas comunidades tradicionais, a marcha – que saiu do novo Mercado de São Brás – reforçou a urgência de medidas concretas para limitar o aquecimento global e proteger os territórios mais vulneráveis.
O movimento destacou que, embora as negociações oficiais da COP30 avancem em arenas diplomáticas, é nas ruas que a pressão popular se manifesta de forma mais direta. Para os participantes, a marcha é um lembrete de que a sociedade civil desempenha papel decisivo ao exigir compromissos reais de governos e empresas. A presença de grupos de diferentes países e regiões reforça o caráter global da luta climática e evidencia que as desigualdades socioambientais seguem no centro dos debates.
Durante discurso, a ministra dos Povos Originários, Sônia Guajajara, reforçou a urgência de políticas de proteção ambiental e a centralidade dos povos originários nas discussões climáticas.
Entre as principais pautas levantadas estão a defesa da Amazônia, o fim dos combustíveis fósseis, a garantia dos direitos dos povos originários e a transição justa para trabalhadores afetados por mudanças no setor energético.
Conceição Cruz, do município de Codó, no Maranhão, esteve entre os participantes da marcha em defesa do babaçual, que luta pela proteção ambiental e pelos direitos territoriais e culturais das comunidades tradicionais. “Estamos em uma área onde o agronegócio, a cana-de-açúcar, a soja, o eucalipito estão destruindo as nossas matas. Estamos aqui para pedir justiça. Justiça para os povos quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, todo o nosso povo que está sendo massacrado por políticas de interesse pessoal. Lutamos pela defesa da vida dessas pessoas”, disse ela, que também faz parte da Associação de Formação e Capacitação dos Cocais em Codó.
O impacto da Marcha Global pelo Clima vai além da visibilidade pública. O ato contribui para moldar a narrativa global sobre justiça climática, ampliando a pressão por transparência nos acordos e por uma distribuição mais justa dos investimentos destinados à adaptação e mitigação. Marchas como essa historicamente influenciam decisões multilaterais ao demonstrar que a opinião pública acompanha e cobra resultados das conferências climáticas.
A mobilização também fortalece articulações entre organizações e movimentos, criando redes que se estendem para além do evento. Essas conexões são essenciais para sustentar ações contínuas de monitoramento, formação política e enfrentamento a retrocessos ambientais. Para especialistas, a marcha funciona como um termômetro da sociedade civil e ajuda a manter o clima como prioridade no debate público.

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