A popularização de medicamentos injetáveis para perda de peso, conhecidos como canetas emagrecedoras, consolidou uma nova frente no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 no Brasil. Contudo, a expansão desse uso tem ampliado o debate sobre os efeitos colaterais do emagrecimento acelerado, especialmente quando realizado sem suporte clínico adequado. Segundo o ortopedista Marcelo Ruck, da Santa Casa de Mauá, a redução de peso obtida com essas terapias pode atingir não apenas a gordura, mas também a massa muscular.
Essa perda de massa magra, tecnicamente chamada de sarcopenia relativa, compromete a estabilidade corporal, gerando sobrecarga articular e queixas de dor. Na prática, a diminuição da musculatura está associada ao aumento de desconfortos nos joelhos e na coluna, além de favorecer tendinites e alterações posturais. Outro risco relevante é a redução da densidade óssea no emagrecimento rápido devido à ingestão nutricional limitada, o que pode causar fragilidade óssea, sobretudo em pacientes mais velhos.
A inibição do apetite também pode resultar em deficiência de micronutrientes, como a vitamina B12. A falta desse nutriente é um fator conhecido para o desenvolvimento de neuropatia periférica, condição que provoca formigamento e dormência. Marcelo Ruck ressalta que, sem o estímulo adequado ao sistema musculoesquelético por meio de exercícios físicos, o organismo responde com sobrecarga nas articulações.
Apesar dos riscos, o uso assistido desses fármacos traz benefícios metabólicos significativos quando acompanhado por equipe multidisciplinar. O especialista explica que o tratamento seguro deve incluir monitoramento médico regular, orientação nutricional com ingestão proteica compatível e a prática de exercícios de força para preservar a musculatura e o equilíbrio orgânico. O Hospital Santa Casa de Mauá, que monitora esses impactos estruturais e funcionais, está localizado na Avenida Dom José Gaspar, 1374, em Mauá.

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