O recente Derby entre Corinthians e Palmeiras pelas oitavas de final da Copa do Brasil trouxe novamente à tona uma discussão que se tornou constante no futebol brasileiro: a eficácia e confiabilidade do VAR. A vitória corintiana por 1 a 0 na Neo Química Arena foi marcada por duas intervenções decisivas da tecnologia – um pênalti assinalado para o Timão e um gol anulado do Palmeiras por impedimento milimétrico –, gerando as habituais controvérsias que acompanham o árbitro de vídeo desde sua implementação no país. Entendo que nos dois lances o VAR acertou, porém não é o que sempre acontece.
Antes mesmo da partida de volta no Allianz Parque, o episódio ganhou contornos ainda mais dramáticos. O Corinthians enviou um ofício à CBF solicitando a substituição do árbitro de VAR Caio Max Augusto Vieira, alegando que ele teria ofendido o clube em redes sociais. A entidade, por sua vez, manteve a escalação, tratando as acusações como fake news e argumentando que o profissional já havia atuado em outras partidas do Timão sem registro de queixas formais.
Esta polêmica específica ilustra um problema mais amplo que assombra o futebol brasileiro: a desconfiança generalizada em relação à arbitragem, agravada pelas inconsistências do VAR. O Campeonato Brasileiro tem sido palco de inúmeros erros de arbitragem e decisões polêmicas envolvendo a tecnologia, com o VAR frequentemente levando vários minutos para revisar lances, interrompendo o ritmo do jogo e gerando irritação entre jogadores, comissões técnicas e torcedores.
A tecnologia que chegou ao Brasil com a promessa de reduzir injustiças e trazer mais precisão às decisões tem apresentado resultados contraditórios. Embora tenha o potencial de corrigir erros em tempo real, as decisões finais ainda dependem das interpretações humanas, que podem ser falhas. O resultado é uma ferramenta que, paradoxalmente, às vezes causa mais controvérsia do que resolve.
A interrupção constante do fluxo do jogo tornou-se uma preocupação crescente. Jogadores relatam que a espera por uma decisão do VAR pode quebrar o ritmo e a concentração, afetando o desempenho em campo. Além disso, casos de lances óbvios de jogo violento grave que passam despercebidos tanto pela arbitragem quanto pelo VAR evidenciam falhas que deveriam ser inadmissíveis com a tecnologia disponível.
A situação se torna ainda mais preocupante quando consideramos que a CBF chegou ao ponto de afastar múltiplos árbitros do campo e do VAR por erros cometidos durante a temporada, demonstrando a gravidade dos problemas enfrentados pela arbitragem brasileira.
Apesar das críticas constantes, pesquisas indicam que a maioria dos torcedores ainda é favorável ao uso do VAR, o que demonstra que o problema não está na tecnologia em si, mas em sua aplicação. O VAR não é o vilão da história, mas sua implementação no Brasil tem se mostrado deficiente, seja pela demora nas decisões, pela falta de uniformidade nos critérios ou pela persistência de erros que a tecnologia deveria eliminar.
O episódio envolvendo Corinthians e Palmeiras serve como um microcosmo dos desafios enfrentados pelo futebol brasileiro. Enquanto não houver maior transparência, uniformidade de critérios e aprimoramento técnico dos profissionais responsáveis pelo VAR, continuaremos assistindo a uma ferramenta que, em vez de pacificar, alimenta ainda mais as controvérsias que sempre fizeram parte do nosso futebol.
ROBERTO MAIA É JORNALISTA, ESCRITOR, CRONISTA ESPORTIVO E EDITOR DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR
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