Carlo Ancelotti falou à imprensa depois da eliminação do Brasil para a Noruega com um tom firme, mas sem perder a calma que costuma marcar suas entrevistas. A derrota por 2 a 1, que tirou a Seleção da Copa do Mundo de 2026 no MetLife Stadium, em Meadowlands, ampliou a pressão sobre o treinador e abriu uma série de questionamentos sobre o desempenho da equipe no torneio.
O técnico reconheceu que o Brasil perdeu o controle emocional logo após o primeiro gol norueguês. Segundo ele, a equipe passou a se desorganizar defensivamente e permitiu que o adversário encontrasse espaços em contra‑ataques — algo que já havia aparecido em outras partidas do Mundial. Ancelotti afirmou que o time manteve a posse de bola, mas não conseguiu transformar isso em jogadas claras, especialmente no setor ofensivo.
Um dos temas mais discutidos foi o pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães. O treinador explicou que a escolha não foi improvisada: a comissão técnica havia elaborado um levantamento estatístico ao longo do último ano, e Bruno aparecia entre os jogadores mais eficientes na função entre os que estavam em campo naquele momento. Ele destacou que Neymar, Igor Thiago e Raphinha tinham índices superiores, mas não estavam disponíveis para a cobrança. Ancelotti reforçou que a decisão seguiu critérios técnicos previamente definidos.
As substituições feitas no segundo tempo também foram alvo de perguntas. O italiano disse que buscava aumentar a velocidade e a profundidade do ataque, mas admitiu que as mudanças não produziram o impacto necessário. O gol brasileiro no fim da partida, segundo ele, mostrou que o time ainda tinha energia para reagir, mas não conseguiu transformar isso em uma virada real.
A coletiva teve um clima mais tenso porque Ancelotti inicialmente não parou na zona mista. Ele deixou o estádio sem falar com os jornalistas, enquanto seu filho e auxiliar, Davide Ancelotti, foi quem deu as primeiras explicações. O treinador só apareceu mais tarde na entrevista oficial, após insistência da equipe de comunicação da CBF.
Mesmo com a eliminação, Ancelotti afirmou que não considera o resultado como o fim de um ciclo. Ele disse que o Brasil fez um Mundial competitivo, embora insuficiente para avançar, e que a derrota deve servir como ponto de partida para ajustes. O técnico lembrou que renovou contrato até 2030 antes da Copa, mantendo o salário anual de 10 milhões de euros, e garantiu que continuará no comando da Seleção.
Ao encerrar a entrevista, Ancelotti afirmou que o momento exige reflexão e mudanças, mas não ruptura. Para ele, a queda diante da Noruega não encerra o trabalho — apenas obriga o Brasil a recomeçar com novas ideias e mais disciplina

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