Com setenta e sete dias para a abertura da Copa do Mundo, a Seleção Brasileira entregou uma atuação alarmante que expõe a profunda falta de padrão de jogo e a fragilidade do elenco. No amistoso realizado no Gillette Stadium, em Boston, o Brasil foi derrotado pela França por 2 a 1, em um cenário que se tornou ainda mais vexatório pelo fato da equipe europeia ter jogado boa parte do segundo tempo com um jogador a menos. O revés não apenas interrompe o planejamento de resultados, mas coloca em xeque a consistência do trabalho de Carlo Ancelotti às vésperas do maior desafio do ciclo.
O que se viu em campo foi uma equipe burocrática e taticamente perdida. No primeiro tempo, o Brasil até tentou esboçar uma pressão com Casemiro e Raphinha, mas esbarrou na falta de criatividade e na lentidão das transições. A França, mesmo sendo menos propositiva precisou de apenas uma falha de posicionamento para marcar, Mbappé recebeu livre após passe de Dembélé e encobriu Ederson com facilidade, selando a desvantagem brasileira antes do intervalo. A passividade defensiva diante de um adversário de elite evidenciou que o "espelhamento" tático proposto não ofereceu a segurança necessária.
Na etapa final, a expulsão de Upamecano ofereceu ao Brasil o cenário ideal para a reação. Com superioridade numérica, esperava-se um abafa coordenado, mas o que se viu foi o oposto. O time desestruturou-se, cedendo espaços generosos para os contra-ataques franceses, em um deles culminando no gol de Ekitiké. A desorganização era tamanha que aos 20 minutos do segundo tempo, a insatisfação da arquibancada transbordou em coro uníssono, o torcedor brasileiro em Boston começou a gritar o nome de Neymar, evidenciando a falta de confiança nos protagonistas atuais, como Vinícius Júnior e Raphinha, que tiveram atuações apagadas e distantes do brilho que exibem em seus clubes.
Apesar de Bremer ter diminuído o placar em um lance de oportunismo após bate-rebate, a sensação final foi de impotência. O discurso de Carlo Ancelotti após a partida, tentando minimizar o revés e exaltar o desempenho de novatos como Léo Pereira e Igor Thiago, soa desconectado da urgência que o calendário impõe. Dizer que o Brasil "mostrou que pode competir com os melhores" após perder com um homem a mais soa como uma tentativa de mascarar a ausência de um esquema tático definido. Sem um "time base" estabelecido e com dúvidas persistentes sobre a lista final que será divulgada em 18 de maio. Na próxima terça o Brasil entra novamente em campo para realizar seu segundo amistoso desta Data-FIFA, quando enfrentará no Camping World Stadium em Orlando a seleção da Croácia que venceu nesta quinta a Colômbia em amistoso também realizado nos Estados Unidos.
FICHA TÉCNICA
BRASIL 1 X 2 FRANÇA
BRASIL – Ederson; Wesley (Ibañez), Bremer, Léo Pereira e Douglas Santos; Casemiro (Gabriel Sara) e Andrey Santos (Danilo); Martinelli (João Pedro), Raphinha (Luiz Henrique), Vini Jr. e Matheus Cunha (Igor Thiago). Técnico: Carlo Ancelotti.
FRANÇA – Maignan; Malo Gusto (Kalulu), Konaté, Upamecano e Theo Hernandez; Tchouaméni (Kanté), Rabiot e Cherki; Ekitiké (Doué), Mbappé (Thuram) e Dembelé (Lacroix). Técnico: Didier Deschamps.
GOLS – Mbappé, aos 31 do 1ºT. Ekitiké, aos 19, e Bremer, aos 32 do 2ºT.

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