O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi transferido nesta quinta-feira para a superintendência da Polícia Federal em Brasília, após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. A mudança da prisão de segurança máxima para a carceragem da PF é interpretada como um movimento estratégico para consolidar as negociações de uma delação premiada, facilitando o acesso dos investigadores ao banqueiro. Vorcaro, que ocupou a mesma sala utilizada anteriormente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, já assinou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e com a Polícia Federal, passo jurídico essencial para o avanço da colaboração.
A defesa do empresário, liderada pelo advogado José Luís Oliveira Lima, oficializou o interesse em colaborar após reuniões com a PF e com o ministro Mendonça. Apesar da tentativa de converter a detenção em prisão domiciliar, o magistrado negou o pedido sob o argumento de que Vorcaro integra uma organização criminosa perigosa e sua liberdade representaria risco às investigações. O cenário gera apreensão no Palácio do Planalto, onde a avaliação é de que o banqueiro pode tentar envolver figuras do governo para mitigar sua pena, possivelmente ligando o ex-sócio Augusto Lima aos ministros Jaques Wagner e Rui Costa.
A Polícia Federal finaliza um relatório baseado em arquivos do celular de Vorcaro que cita o senador Ciro Nogueira (PP-PI). As mensagens indicam que o banqueiro celebrou uma emenda proposta pelo senador em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), medida que beneficiaria o Banco Master. Paralelamente, as investigações apuram repasses de R$ 18 milhões da JBS e do Master a uma consultoria que realizou pagamentos a Kevin Nunes, filho do ministro Kássio Nunes Marques. Enquanto o caso avança, a defesa da modelo Martha Graeff, ex-noiva de Vorcaro, informou à CPI do Crime Organizado que ela se encontra em estado de choque e abalo emocional diante das revelações.

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