A Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi rebaixada do Grupo Especial para a Série Ouro no Carnaval do Rio de Janeiro. A escola ficou em último lugar na classificação, com 264,6 pontos, e obteve apenas duas notas 10 em samba-enredo, concedidas por dois jurados.
Após a queda de divisão, a agremiação divulgou uma imagem do desfile nas redes sociais, destacando que "a arte não é para covardes" e agradecendo à comunidade pelo apoio. No enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", a escola buscou contar a história do presidente, que assistiu ao desfile do camarote da Prefeitura do Rio. A primeira-dama Rosângela Silva, conhecida como Janja, decidiu não participar como destaque em um dos carros alegóricos devido a processos judiciais relacionados ao desfile.
Antes do Carnaval, a oposição já havia acionado a Justiça Federal e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acusando a escola de propaganda eleitoral antecipada, mas as ações foram rejeitadas. O partido Novo anunciou que irá solicitar a inelegibilidade de Lula ao TSE. Durante o desfile, a Acadêmicos de Niterói fez referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de forma crítica.
Um dia após o desfile, a escola alegou ter sofrido perseguição política e ataques de setores conservadores, além de pressão de gestores do Carnaval carioca para alterar seu enredo e letra de samba, conforme declarado em nota oficial. A agremiação recebeu R$ 1 milhão do Ministério da Cultura e da Embratur em um convênio com a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, parte de um total de R$ 12 milhões destinado às 12 escolas do Grupo Especial.
O desfile foi alvo de críticas, especialmente pelo carro alegórico “Conservadores em Conserva”, que satirizava a Bíblia, evangélicos e o agronegócio. Em resposta, representantes da direita lançaram a tendência "Família em Conserva" nas redes sociais. O deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) classificou o desfile como um "desastre total" e um ataque deliberado às famílias brasileiras, questionando o conhecimento de Lula sobre o conteúdo da ala.
Além disso, senadores da oposição apresentaram uma queixa-crime à Procuradoria-Geral da República contra a Acadêmicos de Niterói, acusando a escola de preconceito semelhante ao racismo pela forma como representou os evangélicos.
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Escola que homenageou Lula, Acadêmicos de Niterói é rebaixada
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