A participação da seleção do Irã na Copa do Mundo de 2026, sediada por Estados Unidos, México e Canadá, permanece cercada por incertezas diplomáticas e tensões militares. Apesar do grave estremecimento nas relações entre Teerã e Washington, motivado pelo conflito no Oriente Médio e pela ofensiva militar iniciada em fevereiro, a Federação Iraniana de Futebol sinalizou que pretende disputar o torneio. Em declaração divulgada pela agência de notícias Fars, o presidente da entidade, Mehdi Taj, afirmou que o país se preparará para a competição, ressaltando que o boicote pretendido é direcionado ao governo dos Estados Unidos, e não ao evento esportivo em si.
Para viabilizar a presença da equipe sem atuar em solo americano, a federação iraniana busca um acordo com a Fifa para transferir seus compromissos da fase de grupos para o México. A entidade máxima do futebol, no entanto, demonstra resistência à proposta e não sinalizou intenção de alterar o calendário oficial ou as sedes já estabelecidas. O impasse ganha contornos dramáticos devido ao sorteio das chaves: integrante do Grupo G, o Irã tem sua estreia marcada para 15 de junho contra a Nova Zelândia, em Los Angeles. A seleção ainda enfrentaria a Bélgica na mesma cidade e encerraria a primeira fase contra o Egito, em Seattle.
O clima de hostilidade foi intensificado por declarações recentes do presidente Donald Trump, que sugeriu que a delegação iraniana não deveria viajar ao torneio por questões de segurança. O governo do Irã rebateu enfaticamente, declarando que nenhuma nação possui autoridade para excluir sua seleção nacional do Mundial. Segunda seleção asiática a se classificar para o torneio, depois do Japão, o Irã planejou inicialmente sua base de treinamentos em Tucson, no Arizona, mas o avanço das tensões geopolíticas coloca em xeque a logística da equipe e a própria viabilidade de sua entrada nos Estados Unidos sob o atual cenário de guerra.

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