A Acadêmicos do Tatuapé cruzou a faixa amarela do Sambódromo do Anhembi na madrugada desta sexta-feira (13) para sábado (14) com uma missão clara: transformar a passarela em um campo de reflexão política e social. Com o enredo “Plantar para colher e alimentar. Tem muita terra sem gente. Tem muita gente sem terra!”, desenvolvido pelo carnavalesco Wagner Santos, a azul e branca da Zona Leste entregou um desfile tecnicamente luxuoso, mas que terminou sob a tensão de um incidente na pista.
A escola não se esquivou da temática espinhosa da reforma agrária e da agricultura familiar. O abre-alas trouxe a força da ancestralidade e a divindade da terra, enquanto as alas seguintes coloriram a avenida com as tonalidades do milho, do café e do algodão. Um dos pontos altos foi a representação poética da luta camponesa, em parceria com movimentos sociais como o MST, exaltando a "agricultura sem veneno".
A bateria "Qualidade Especial", sob o comando de Mestre Higor, sustentou o samba-enredo, uma junção de duas obras escolhidas em 2025 com uma cadência firme, pontuada por bossas que remetiam ao toque do agogô e ao folclore rural. O luxo tecnológico, marca das escolas de elite em 2026, esteve presente em alegorias que utilizavam efeitos de iluminação para simular o crescimento das plantações.
Apesar do brilho plástico, a Tatuapé deixou um rastro de preocupação ao final de sua apresentação. Um vazamento de óleo de um de seus carros alegóricos comprometeu a aderência da pista, forçando a interrupção momentânea do evento.
Equipes de manutenção precisaram usar serragem e produtos químicos para garantir a segurança dos casais de mestre-sala e porta-bandeira seguintes.
No quesito evolução e harmonia, a escola da Zona Leste manteve o padrão que a consagrou bicampeã. Contudo, o vazamento de óleo e possíveis penalidades administrativas relacionadas ao incidente técnico podem ser o fiel da balança na apuração de terça-feira.
Em 2025, a Tatuapé bateu na trave, perdendo o título nos critérios de desempate para a própria Rosas de Ouro. Em 2026, a escola prova que continua sendo uma potência visual e comunitária, mas precisará contar com a benevolência dos jurados nos quesitos de pista para voltar ao topo do pódio.

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