Minutos antes do desfile da grande campeã do carnaval de São Paulo, conversamos com a presidente Solange Cruz na concentração da Mocidade Alegre. Ela falou sobre sua forma de trabalhar dentro de sua agremiação, do orgulho de mais um título e de forma muito respeitosa deu sua opinião sobre as coirmãs de disputa
Entrevista com a presidente Solange Cruz, da escola de samba Mocidade Alegre, campeã do Carnaval 2026 de São Paulo
Luciano Luiz: Fale sobre esta sensação de dever cumprido após a conquista de mais um campeonato.
Solange Cruz: Ah, é fantástico. A gente se incluiu nesse trabalho, todo mundo faz parte do processo. A comunidade toda se empenhou, se integrou, entendeu. Tudo que a gente pediu, eles conseguiram também corresponder e isso é muito importante para que dê tudo certo. Então, é um trabalho em conjunto, é um trabalho de união, onde todo mundo entendeu que junto a gente é mais forte.
Luciano Luiz: Fale sobre a linha da escola que sempre traz pontos culturais importantes. Qual que é a importância de ter uma escola tão relevante no Carnaval de São Paulo pautando coisas importantes?
Solange Cruz: Eu acho que a nossa função como escola de samba é essa. Lógico que a gente às vezes quer fugir, quer fazer outros tipos de temas. A escola já fez outros tipos de temas abstratos também e já foi campeão com isso, mas a gente gosta muito de mostrar e de provar que o Carnaval é cultura e que a gente quer cada vez mais elevar isso. Um tema superimportante como foi o da Léa, a importância do legado da Léa e tudo que a Léa conseguiu transmitir aqui na avenida. Isso foi muito importante também para mostrar a Mocidade Alegre. As imagens se tornaram internacionais, a gente está aí voando o mundo e isso é muito gostoso, prazeroso, de saber que um trabalho daqui, de pessoas que aprenderam nas suas cidades, assim como nós aprendemos no samba, fomos formados nessa faculdade e a gente percebe que a coisa andou. Isso é muito bacana, muito gratificante.
Luciano Luiz: Existe uma cartilha para saber como ser uma das melhores escolas nesse Anhembi. Porque se tem uma cartilha, quem pode ensinar é a Mocidade.
Solange Cruz: Não, eu não sei se tem uma cartilha. Eu acho que as pessoas das escolas de samba precisam entender também que tudo é uma troca, é reciprocidade. Então, se a gente dá respeito, a gente tem respeito. Se a gente dá educação, a gente tem educação. Se a gente dá alegria, a gente recebe alegria. E assim por diante. Eu acho que as pessoas precisam se soltar um pouco mais e deixar as coisas acontecerem e fluírem. A Mocidade Alegre como diz seu nome é uma Mocidade Alegre e a gente trabalha sempre dessa forma.
Luciano Luiz: A sua voz é muito importante, a gente tem uma história de algumas escolas, como Nenê, Peruche, Leandro, se aproximar um pouco mais, o próprio Vai Vai, Camisa, que são escolas tradicionais que infelizmente não estão alcançando o protagonismo que a gente cresceu assistindo. Na opinião da Solange, por que isso acontece?
Solange Cruz: Olha, eu não sei te explicar. Eu acho que cada escola tem uma forma, um jeito. Como eu já estou na escola há muito tempo eu também consigo transmitir isso mais fácil para a minha comunidade. Conheço todo mundo, estou sempre lá. Então acho de suma importância também as pessoas estarem presentes e participando. Dois anos é muito pouco de gestão. Três anos é muito pouco de gestão. Acho que as pessoas precisam estar mais para entender, mas aí cada escola tem seu jeito, não tem como a gente opinar e eu respeito cada uma delas.

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