Futebol é dentro de campo, mas gestão vitoriosa se faz com planejamento e dinheiro
Este título resume o meu pensamento em relação ao que foi o 1º Mundial de Clubes da FIFA e mais do que isso, o que temos hoje como realidade dentro do esporte. Por mais que muitos busquem em alternativas, teses e discursos recheados de metáforas outras definições para a distância entre o futebol europeu e o que ocorre pelo mundo afora, não tem como a gente fugir de planejamento e recursos.
Já entre os quatro representantes brasileiros nós temos realidades bem diferentes. O Flamengo é um clube que possui uma condição financeira boa, porém não tem uma política de formação de atletas e muitas vezes esbarra na falta de planejamento a longo prazo na formação de seus elencos que possuem boas peças, mas um coletivo ainda frágil quando confrontado com equipes mais estruturadas. Talvez hoje o grande diferencial do time está no banco de reservas com o trabalho do Filipe Luís que vem de uma escola europeia de entender o futebol e se organizar acima de tudo para prosperar no esporte.
O Botafogo eu vejo como o mais frágil entre os brasileiros, pois possui muito recurso para investimento, mas isso não tem sido feito de uma forma organizada nos últimos tempos. Mesmo que o time conquistou no ano passado o Brasileiro e a Libertadores, é muito fácil notar a alta instabilidade administrativa da instituição. Primeiro por ter a frente um dirigente extremamente passional e um staff bastante submisso para poder conter excessos e devaneios do mesmo ao longo do processo do dia a dia no clube. Isso infelizmente acaba passando para dentro do campo e os resultados a gente tem visto.
O Palmeiras é um time que possui uma organização bastante sólida e mesmo com algumas divididas internas por conta de divergências entre conselheiros, diretores e sua mandatária, tem na gestão do futebol uma firmeza que o coloca em destaque para buscar voos mais altos no esporte. Com uma blindagem nos núcleos do futebol, desde a base ao profissional o time tem evoluído muito como gestão esportiva, mas ainda falta um olhar mais ousado para subir um degrau dentro do esporte como equipe visionária para montar elencos melhores. Hoje possui um técnico muito bom, mas que se apega muito mais em conquistas passadas do que em novos desafios para deixar o time mais propositivo. A conta bancária não pode gerar soberba e sim deveria acarretar em uma gestão mais cirúrgica e assertiva para a instituição.
O Fluminense que por acaso foi mais longe que todos na competição destoa dos outros quando a comparação é financeira, porém se torna um dos remanescentes do romantismo administrativo que para muitos deveria ter acabado neste momento de modernidade no futebol. E como exceção da regra a equipe das Laranjeiras mostrou que planejamento, conversa, lealdade e entrega ainda faz a diferença dentro do futebol, mas sabemos que em algum momento vão esbarrar na pauta financeira e este degrau não dá para ser vencido somente com os predicados mencionados a dedicação de seus atletas e dirigentes. Isso ficou claro na partida decisiva da semifinal quando os badalados jogadores do time europeu realmente se apresentaram com sua força técnica e tática e ainda para ser mais cruel um grande atleta formado no clube e com DNA tricolor foi seu algoz. Mas João Pedro não é há bastante tempo um atleta do Fluminense. Ele foi formado pelo clube e ganhou o mundo, é jogador de seleção brasileira e por isso foi comprado uma semana antes pelo Chelsea para entrar no meio da competição e custar quase 60% do valor de todo o elenco atual tricolor. Aí que digo que quando entramos na esfera financeira a abissal diferença é implacável, pois mais do que um grande jogador as pessoas responsáveis pelo time inglês tiveram o discernimento de enxergar a posição exata que poderia fazer a diferença. Uns vão dizer que isso foi somente coincidência, eu prefiro dizer que isso foi consequência de um excepcional planejamento.
Mas fecho meu raciocínio com um olhar de esperança e satisfação em ter acompanhado este histórico Mundial de Clubes. Vejo de forma positiva a participação das equipes brasileiras e que tenha servido de inspiração não somente para o crescimento de Flamengo, Fluminense, Botafogo e Palmeiras, mas de todos os outros clubes do Brasil que possuem em suas torcidas sua maior riqueza, muitas vezes não exploradas de forma correta, mas que se mostram potenciais quase que infinitos na busca de recursos através de uma projeção administrativa sóbria e se organizada muito mais rentável que os modelos de hoje em dia.
Lembramos que a diferença cambial não é uma responsabilidade do futebol e ela faz toda a diferença, mas ações coletivas entre as instituições e junto a Confederação Brasileira de Futebol poderia sim evoluir muito mais o potencial comercial dos clubes e do nosso futebol.
Seguimos contando histórias !!!
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