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Domingo, 08 de Março 2026
Carnaval de São Paulo 2026: Um Mosaico de Fé, História e Resistência no Anhembi

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Carnaval de São Paulo 2026: Um Mosaico de Fé, História e Resistência no Anhembi

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O Sambódromo do Anhembi prepara-se para uma das edições mais ricas e diversificadas do Carnaval de São Paulo. Em 2026, as 14 agremiações do Grupo Especial trazem enredos que transcendem o simples espetáculo visual, mergulhando profundamente em questões de identidade, espiritualidade, justiça social e homenagens a figuras que moldaram a cultura brasileira. O desfile, dividido entre os dias 13 e 14 de fevereiro, promete ser um campo de batalha estético onde o rigor técnico das escolas encontrará a emoção de temas que ressoam diretamente na alma do povo.

A primeira noite, sexta-feira (13/02), será aberta pela Mocidade Unida da Mooca, que debuta no Grupo Especial com uma responsabilidade monumental: o enredo “GÈLÈDÉS - Agbara Obinrin”. A escola da Zona Leste homenageia o Instituto da Mulher Negra (Geledés) e sua fundadora, Sueli Carneiro. O desfile promete ser um manifesto contra o racismo e o sexismo, utilizando a mitologia das máscaras Geledés para exaltar o poder feminino ancestral. Logo em seguida, a Colorado do Brás traz uma proposta de ressignificação histórica com “A Bruxa está solta! Senhoras do saber renascem na Colorado”. A agremiação pretende desconstruir o estigma negativo que perseguiu mulheres sábias ao longo dos séculos, transformando o "medo" em celebração ao conhecimento e à liberdade feminina.

A Dragões da Real rompe com suas tradições temáticas ao apresentar seu primeiro enredo indígena: “Guerreiras Icamiabas – Uma lendária história de força e resistência”. A escola fará uma imersão na Amazônia para contar a história das mulheres guerreiras que viviam sem homens, defendendo seu território com bravura, conectando a lenda à urgência da preservação ambiental contemporânea. Já a Acadêmicos do Tatuapé mantém sua linha de temas sociais e pé no chão com “Plantar para colher e alimentar. Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra”. O enredo é uma análise crítica sobre a agricultura brasileira, desde a subsistência até o agronegócio, pautando a luta pela reforma agrária e a segurança alimentar do país.

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A atual campeã, Rosas de Ouro, busca o bicampeonato olhando para o cosmos. Com o enredo “Escrito nas Estrelas”, a Roseira promete um espetáculo visual sobre astrologia e astronomia, narrando como a humanidade, desde os primórdios, utiliza o céu como guia para suas civilizações e destinos. O tradicional Vai-Vai traz uma temática que une arte e regionalismo: “A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”. A escola do Bixiga homenageia os lendários estúdios cinematográficos Vera Cruz e a história de São Bernardo do Campo, resgatando o glamour do cinema nacional e a força operária do ABC paulista. Fechando a primeira noite, a Barroca Zona Sul apresenta “Oro Mi Maió OXUM”, um tributo à divindade das águas doces. O desfile deve ser marcado pelo dourado e pela exaltação à beleza, ao amor e à fertilidade, elementos regidos por Oxum no panteão iorubá.

O sábado (14/02) começa com a Império de Casa Verde, que leva ao Anhembi o enredo “Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras”. A escola do "Tigre" focará no empoderamento das mulheres escravizadas de ganho que, através de seu trabalho e resistência, conquistaram joias e adornos que serviam como símbolos de liberdade e status religioso. Na sequência, a Águia de Ouro propõe um intercâmbio cultural em “Mokum Amesterdã: o voo da Águia à cidade libertária”. A agremiação utilizará um portal mágico para conectar São Paulo a Amsterdã, explorando a tolerância, a diversidade e os laços históricos que unem o Brasil à Holanda.

A Mocidade Alegre, sempre favorita ao título, dedica seu desfile à lendária atriz Léa Garcia. O enredo “Malunga Léa - Rapsódia de uma Deusa Negra” promete uma cinebiografia na avenida, destacando o pioneirismo de Léa na televisão e no cinema mundial, reafirmando o protagonismo negro nas artes cênicas. A Gaviões da Fiel, por sua vez, foca na ancestralidade indígena com “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”. A escola utiliza a sabedoria dos povos originários como bússola para um futuro sustentável, clamando pela proteção das florestas e pelo respeito às demarcações de terra.

Em seu terceiro ano na elite, a Estrela do Terceiro Milênio presta uma homenagem à MPB com o enredo “Hoje a poesia vem ao nosso encontro: Paulo César Pinheiro”. O desfile será uma viagem lírica pela obra de um dos maiores poetas e compositores do Brasil, responsável por clássicos que atravessam gerações. A Tom Maior, campeã do Acesso em 2025, retorna ao Especial com um tema de profunda carga espiritual: “Chico Xavier. Nas entrelinhas da alma, as raízes do céu em Uberaba”. A escola abordará a vida de caridade do médium e a história da cidade mineira que se tornou centro de sua obra. Por fim, o Camisa Verde e Branco encerra o Carnaval 2026 com “Abre Caminhos”. O enredo é uma exaltação a Exu, o orixá da comunicação e das encruzilhadas, desmistificando preconceitos e celebrando o guardião que permite a conexão entre os homens e o divino.

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