A confirmação de que o Irã não participará da Copa do Mundo de 2026, sob a alegação de que o contexto de guerra no Oriente Médio inviabiliza sua presença, reacende um debate histórico sobre ausências em Mundiais. Embora impactante, o recuo iraniano soma-se a uma longa lista de episódios em que questões geopolíticas, logísticas e protestos moldaram o torneio da FIFA.
O fenômeno remonta à primeira edição, em 1930, no Uruguai, que contou com apenas quatro seleções europeias devido à resistência das nações do Velho Continente em cruzar o oceano. O "desprezo" gerou retaliação imediata: em 1934, o Uruguai recusou-se a defender seu título na Itália, protagonizando o primeiro grande boicote da história. A tensão entre os continentes aumentou em 1938, quando a FIFA quebrou o rodízio de sedes ao escolher a França, levando Argentina e Uruguai a desistirem da competição em protesto.
Após o hiato causado pela Segunda Guerra Mundial, a Copa de 1950 no Brasil também sofreu baixas. A Argentina, que pleiteava a sede e discordava da escolha do vizinho sul-americano, não participou. Paralelamente, seleções como França, Portugal e Turquia desistiram por conta dos altos custos logísticos da época. Já as nações da Grã-Bretanha, incluindo a Inglaterra, só passaram a integrar o torneio neste período, após anos de desvalorização da disputa internacional.
Em 1966, o cenário foi de pressão política: 16 seleções africanas boicotaram o Mundial na Inglaterra reivindicando uma vaga direta para o continente, sem a necessidade de repescagem contra outras federações. A estratégia funcionou e alterou a estrutura das eliminatórias para 1970. No caso específico do Irã, a história se repete; em 1986, o país já havia ficado de fora da Copa no México após se recusar a jogar em campo neutro durante a guerra contra o Iraque.

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