A Federação Iraniana de Futebol iniciou negociações formais com a Fifa para que todas as suas partidas na Copa do Mundo de 2026 sejam realizadas exclusivamente no México, recusando-se a atuar em território dos Estados Unidos. O pedido, confirmado nesta terça-feira (17/3) pelo presidente da federação, Mehdi Taj, fundamenta-se em graves preocupações de segurança e no acirramento das tensões geopolíticas entre os dois países. Segundo o dirigente, a decisão de não viajar aos EUA ocorre após declarações do presidente Donald Trump sugerindo que não poderia garantir a integridade física da delegação iraniana em solo americano, o que inviabilizaria a participação da equipe nas sedes originalmente previstas.
O Irã está sorteado no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia, com jogos inicialmente agendados para as cidades de Los Angeles e Seattle. No entanto, o agravamento do conflito diplomático e militar, acentuado por recentes ataques e impasses em relação à emissão de vistos, levou o governo iraniano a considerar o boicote total ao torneio caso a transferência de sede não seja aceita. O ministro dos Esportes do Irã, Ahmad Donyamali, reforçou a postura de "má-fé" do país anfitrião, afirmando que o ambiente de guerra e a retórica hostil do governo americano impedem a participação da seleção nacional sob as condições atuais do cronograma da Fifa.
A entidade máxima do futebol ainda não emitiu uma resposta oficial sobre a viabilidade logística de deslocar os confrontos para o México, país que divide a sede do Mundial com EUA e Canadá. Caso a Fifa negue o pedido e o Irã oficialize sua desistência, o regulamento prevê multas pesadas e a possível substituição da seleção asiática por outro país, como o Iraque ou os Emirados Árabes Unidos. O impasse coloca a organização da Copa do Mundo diante de um desafio inédito, onde a segurança dos atletas e a estabilidade política global interferem diretamente no mapa da competição a poucos meses do jogo de abertura.

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