O PSD anunciou oficialmente nesta segunda-feira o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como seu pré-candidato à Presidência da República. A decisão de Gilberto Kassab ocorre após a desistência de Ratinho Júnior e consolida uma aposta clara no campo da direita, preenchendo o vácuo deixado pelo governador paranaense. Caiado, médico e herdeiro de uma tradicional linhagem de pecuaristas, retorna à disputa presidencial décadas após sua primeira tentativa em 1989, trazendo uma plataforma centrada na segurança pública, na exploração de minerais estratégicos e na defesa de uma anistia "ampla, geral e irrestrita" ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
A escolha, no entanto, expõe fissuras internas e críticas de setores moderados. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que era o nome preferido das alas de centro, lamentou publicamente a definição. Em vídeo, Leite afirmou que a indicação de Caiado tende a reforçar a polarização radicalizada que limita o crescimento do país. Para acomodar as divergências, Kassab liberou os diretórios estaduais, permitindo que setores do PSD, especialmente no Nordeste, mantenham o apoio à reeleição do presidente Lula. O presidente da legenda justificou a escolha alegando que Caiado possui maior capacidade de unificar as bases partidárias do que Leite, que enfrenta resistências históricas na direita bolsonarista.
No campo governista, a reação foi heterogênea. Enquanto a ministra Gleisi Hoffmann minimizou a candidatura, classificando-a como periférica em um cenário polarizado, alas do PT paulista já acenam para o próprio Kassab como um possível nome para a vice-presidência na chapa de Lula. Analistas políticos divergem sobre o impacto do anúncio: enquanto Miriam Leitão e Eliane Cantanhêde apontam que a candidatura de Caiado mantém o "golpismo" e a direita radical no centro do debate, Joel Pinheiro da Fonseca destaca que o principal ativo do governador será sua gestão em Goiás, que em 2025 alcançou índices de segurança pública historicamente positivos, tornando-se o quinto estado menos violento do país.

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