A pouco mais de seis meses do início oficial da campanha eleitoral, o tabuleiro sucessório para a Presidência da República sofre uma alteração significativa. O governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), anunciou que não disputará o Palácio do Planalto, optando por cumprir seu mandato integral até dezembro. Líder do partido nas pesquisas de intenção de voto, com 7% segundo o levantamento Quaest de março, Ratinho justificou a decisão como uma reflexão familiar. Contudo, o movimento ocorre em meio à articulação de Sergio Moro (União Brasil), que deve migrar para o PL para disputar o governo paranaense, forçando o atual governador a concentrar esforços na sucessão estadual.
Com a saída do paranaense, a pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ganha tração interna no PSD. Com 4% nas pesquisas, Caiado é visto por aliados de Gilberto Kassab como um nome competitivo devido à sua forte interlocução com o agronegócio e aos índices de aprovação em segurança pública. O governador gaúcho, Eduardo Leite, que registra 3%, segue como alternativa. Kassab prometeu oficializar o nome da legenda até o fim de março, destacando que ambos os governadores possuem propostas sólidas para o plano de governo da sigla.
A movimentação da chamada "terceira via" já desperta reações no campo bolsonarista. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, intensificou as críticas ao PSD e ao Centro, utilizando jingles que ridicularizam as candidaturas alternativas. Analistas políticos apontam que a aliança entre Moro e o clã Bolsonaro no Paraná não apenas isola Ratinho Jr. nacionalmente, como asfixia os demais nomes do PSD e do Novo. Para especialistas, a desistência do líder paranaense sinaliza o reconhecimento das dificuldades impostas pela persistente polarização entre o lulismo e o bolsonarismo no país.

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